Revista Bimensal 
Edição 10 - Outubro 05
Página

proFORM R
online

 




O Cidadão Europeu – Que futuro?


Isabel Lopes,
Graça Vilhena e Alcina Oliveira
Esc. Sec. Fernão Mendes Pinto, Almada


Resumo/Abstract

O presente artigo resulta de um projecto delineado e concretizado no âmbito oficina de formação “Educar para uma Europa Plural e Solidária”, dinamizada pela PROFORMAR entre Dezembro de 2004 e Maio de 2005.

A partilha de uma experiência profissional e a sugestão de algumas pistas de abordagem para a implementação em outros contextos escolares constituem os motivos para a publicação deste trabalho.

 

Génese de um projecto

A selecção do sub-tema do projecto foi o primeiro dilema com que nos deparámos, na medida em que os objectivos a alcançar eram consensuais entre os elementos do grupo de trabalho: o projecto deveria mobilizar o conhecimento que os alunos têm do mundo à sua volta, levá-los a reflectir sobre a realidade e a perspectivar o futuro com base no presente. Para além disso, era fundamental que o projecto tivesse uma componente de acção exequível, por considerarmos que, mais do que ser aprendida ou ensinada, a cidadania vive-se.

Das sugestões que nos foram apresentadas, o tema “O cidadão europeu daqui a 20 anos” pareceu-nos o mais adequado para desenvolver com os nossos alunos, no âmbito das disciplinas que leccionamos – Inglês, Economia e Introdução à Filosofia. Trata-se de um tema actual, pertinente e – antecipávamos nós - interessante para os alunos, que permitia ainda uma abordagem interdisciplinar autónoma, isto é, o tratamento de aspectos diferentes do tema nas várias disciplinas, mobilizando competências interdisciplinares ao nível do conteúdo e da forma, sem condicionalismos de sequência no tempo ou interdependência dos conteúdos entre as disciplinas.

O projecto “O Cidadão Europeu – Que Futuro?” foi desenvolvido com o empenho dos alunos de três turmas de 10º e 11º ano de escolaridade, entre os 15 e os 18 anos, dos cursos de Ciências Sociais e Humanas (10ºano) e de Estudos Económico-Sociais (11º ano). O projecto foi implementado em momentos diferentes e com duração variável, situação inerente aos conteúdos programáticos e à carga horária das disciplinas envolvidas – Inglês, Economia e Introdução à Filosofia. O tema enquadrava-se nos tópicos programáticos destas três disciplinas - os jovens e a Europa, mobilidade e relações interpessoais, processo de integração económica da Europa; implicava a mobilização de competências e aptidões como a argumentação, o espírito crítico e o rigor no tratamento da informação, através da pesquisa e processamento de informação – incluindo o recurso às T.I.C. -, e envolvia a produção de vários tipos de texto oral e escrito. Os alunos deveriam desenvolver trabalho individualmente e em grupo, dado pretendermos que aprofundassem o espírito de cooperação e autonomia. Estas seriam as opções metodológicas para a criação de posters, a redacção de cartas, a realização de debates e apresentações orais.

O pretexto concreto para as actividades propostas seria a participação dos alunos - mais informada e consciente após as abordagens em contexto de aula - em fóruns juvenis on-line sobre os temas europeus e a partilha de informação sobre a Europa com colegas do 9º ano de escolaridade, por ocasião do dia da Primavera na Europa (21 de Março).


Cidadão Europeu?! Futuro?!

Os sub-temas “O Cidadão Europeu” e “A União Europeia” foram abordados de um modo mais intenso e extenso no tempo no âmbito da disciplina de Economia. O tratamento do assunto em aula foi apoiado pela visita ao Centro de Informação Europeia Jacques Delors, e a posterior exploração da vertente mais didáctica do site deste organismo inspirou o trabalho dos alunos: a elaboração de um folheto informativo sobre o dia “Primavera na Europa” e a produção de apresentações em Powerpoint subordinadas aos temas: “Da CEE à EU”, “Os Tratados”, “As Instituições”, “Políticas da UE” e “Os Fundos Estruturais”. Todos os trabalhos/documentos produzidos nesta disciplina foram elaborados em grupo, dado o teor dos mesmos.

No dia 21 de Março, a propósito do dia “Primavera na Europa”, os alunos divulgaram o folheto informativo à comunidade escolar, tendo respondido às questões que lhes foram colocadas sobre o assunto.

Finalizados os documentos em Powerpoint, cuja elaboração se prolongou por várias semanas, os alunos e professora agendaram sessões de esclarecimento às turmas de 9º ano, nas quais as apresentações produzidas assumiram um papel central.

Nas disciplinas de Inglês e de Introdução à Filosofia, o tema foi mais personalizado, o que deu origem a testemunhos bastante interessantes, dos quais daremos alguns exemplos mais adiante. Nestas duas disciplinas, o tema foi abordado em paralelo, apenas se tendo realizado uma actividade em comum: a carta (imaginada) de um jovem cidadão europeu de 2025 a um jovem cidadão europeu de 2005 e vice-versa.

A redacção das cartas entre cidadãos europeus constitui o culminar de uma abordagem diferente nas duas disciplinas. Em Introdução à Filosofia, através do debate os alunos tinham desenvolvido a capacidade de argumentação. As reflexões resultantes desse debate reflectiram-se posteriormente nas opiniões/preocupações veiculadas naquelas cartas.

Em Inglês, e porque o tema “Os Jovens e a Europa” é transversal aos temas programáticos da disciplina, o trabalho desenvolveu-se ao longo de 4 sessões de 90 minutos. Os alunos foram solicitados a responder a quatro questões: “O que significa ser europeu?” (Q1), “Como definirias/descreverias um europeu?” (Q2), “Como é que a Europa se reflecte no teu quotidiano?” (Q3) e “Em que medida te sentes europeu?” (Q4). Tratou-se aqui de aplicar aos alunos uma versão adaptada do questionário a que as professoras tinham respondido na primeira sessão da oficina de formação que esteve na origem deste projecto.

Como seria de esperar, as respostas dos alunos não se distanciaram muito das dos adultos, primando felizmente pela espontaneidade. Na impossibilidade de referir todas as respostas, destacamos a seguir as que nos pareceram mais interessantes,. Embora as actividades tenham sido realizadas em inglês e os documentos produzidos nesta língua, por questões de espaço, apresentamos a tradução das respostas em português. Por opção, alinhamos as citações das mais prosaicas (?) às mais idealistas (?):


Q1: “O que significa ser europeu?”

- “É ser alguém da Europa.”

- “É como ter outra nacionalidade.”

- “Significa direitos e deveres, liberdade e direitos e deveres iguais.”

- ”Significa respeito pela nossa nacionalidade e pelos outros países da Europa.”

- “É não só viver na Europa, mas participar na vida social e política da Europa.”

- “É algo importante (...)”

- “Significa fazer parte de uma grande comunidade com um grande sonho: ser solidário, ter a mesma moeda...”

 

Q2: “Como definirias/descreverias um europeu?”

- “É como outra pessoa qualquer: tem cabeça, cabelo, olhos, boca...”

- “Um povo orgulhoso da sua história apesar dos diferentes países e culturas.” /

- “Uma pessoa bondosa, amistosa e hospitaleira.”

- “Uma pessoa solidária, que ajudará os seus concidadãos em caso de necessidade.”

 

Q3: “Como é que a Europa se reflecte no teu quotidiano?”

- “Sou simplesmente portuguesa. Não vejo diferença em ser chinesa, africana... são só culturas.”

- “Não me sinto europeu no dia-a-dia, mas sei pelas notícias que estou ligado a outros países europeus.”

- “Não a sentimos, mas a Europa tem uma presença muito grande nas nossas vidas: a Paz, a interacção económica, o Euro, a nossa moeda europeia.”

 

Q4: “Em que medida te sentes europeu?”

- “É como ser chinesa, africana... Sinto-me normal. Para mim é a mesma coisa.”

- “Não me sinto europeia. Sinto-me portuguesa. Não é importante para mim. É algo distante.”

- “Não me sinto europeu, porque ainda sou menor. Ainda não posso participar na vida política. (Sinto-me europeu, mas não muito.)”

- “Sinto-me europeia e orgulho-me muito do facto, porque ser europeu significa ser responsável pelos meus actos. Orgulho-me de pertencer ao continente mais desenvolvido do mundo.”

- “Sinto-me europeu porque os europeus são muito abertos ao mundo; somos livres (...)”

As respostas ao questionário foram partilhadas no grupo, a que se seguiu a leitura de opiniões de jovens num fórum europeu online sobre “O que é ser europeu?” e “Em que medida te sentes europeu?” (www.generation-europe.eu.com). Em grupos, os alunos elaboraram uma lista das regalias e condicionantes da cidadania europeia actual, dando particular ênfase a questões como família, emprego, estilos de vida e exercício da cidadania.

Na fase seguinte, os alunos foram solicitados a imaginar como seria ser cidadão europeu daqui a 20 anos, tendo em conta os mesmos temas (família, emprego,...), tendo criado dois posters. Do primeiro, “O Cidadão Europeu em 2025”: semelhanças e diferenças”, destacamos as seguintes semelhanças:

Os europeus

- terão direitos e deveres

- pagarão impostos,

- continuarão a não gostar dos E.U.A. e a explorar pequenos países, como em África

- coabitarão com muitos imigrantes

- terão relações e valores familiares semelhantes

- não se interessarão por política.”

 

O que será diferente:

Os europeus

- serão mais desunidos devido a lutas pelo poder/

- todos os países europeus farão parte da U.E./,

- o principal objectivo dos europeus será encontrar água e ajudar o ambiente/

- os carros serão movidos a água.”

Podemos concluir que, na opinião dos alunos, as preocupações do futuro são um adensar das preocupações actuais, não se prevendo uma ruptura com o presente. Foi interessante verificar a preocupação destes jovens com as questões ambientais, que não tinham sido referidas.

As características que os alunos atribuem ao “Cidadão europeu em 2025” pautam-se por alguma contradição. Assim,

- “Será mais fácil viajar e deslocar-se na Europa”.

- “Os europeus

o serão bem informados e solidários” e também “mais activos, embora não politicamente”;

o “competirão por emprego com os amigos”, mas “será mais fácil arranjar trabalho, porque haverá mais oportunidades de emprego.”

No entanto, é desanimador verificar que “teremos o mesmo tipo de sistema educativo”. Também nesta actividade e nestas questões os alunos revelam uma grande dificuldade em imaginar um futuro em ruptura com o presente. Contudo, é na redacção de cartas entre os cidadãos das duas épocas – 2005 e 2025 – que as preocupações dos nossos jovens assumem maior expressividade.

Como foi referido, o trabalho nas disciplinas de Inglês e de Introdução à Filosofia culminou com a redacção de cartas entre cidadãos europeus de 2005 e 2025. Desde as visões idealistas do presente às mais ou menos pós-apocalípticas do futuro, de tudo houve um pouco. De novo, para uma economia de espaço e devido à extensão das citações, apresentam-se as versões originais dos alunos, em inglês ou em português, consoante foram redigidas na aula de Inglês ou na de Intr. à Filosofia.

Carta(s) do cidadão europeu de 2025 ao cidadão europeu de 2005:

“Chamo-me Jean Pierre e tenho 30 anos. Vivo numa cidade decadente, demodé, sem o encanto e o charme de outrora. Paris é uma cidade fechada ao mundo, deserta e parada no tempo. Situação idêntica vivem os restantes europeus desde a 3 ª Guerra Mundial. Esta foi desencadeada pelo terrorismo islâmico e opôs as grandes potências: Rússia, EUA e países islâmicos à Europa e ao Sudeste Asiático. (...) Tenho um filho com 9 anos chamado Gerald, não desejado mas que tento amar apesar de todas as dificuldades. O seu sustento é cada vez mais difícil, pelo que vai ter que abandonar os estudos. Situação melhor não o espera, porque o desemprego é grande, as indústrias primitivas estão a falir e o mercado negro continua a crescer.

A única esperança deste infeliz cidadão reside na quebra das barreiras dos outros continentes, nomeadamente a Ásia e a África, de modo a dinamizar a actividade económica através do aumento do investimento estrangeiro.”

 

“Dear European Citizen of 2005,

I am writing from the future, it’s the year 2025, as you may have noticed, to tell you about the differences between my time and yours.

I live in Ireland, but I am from France and I am 20 years old.

Firstly, I should tell you that European people still have the same rights and duties and although we don’t like it, we still have to pay taxes. But I can tell you that they aren’t so high as they used to be in your time. Unfortunately this only happens here because in Africa, Asia and America things are even worse than they were in 2005, and that is why there is so much immigration to our continent. (...)

Although transport has become faster, we have been very careful about what this could cause to the environment: all cars are now moved by water, and industry doesn’t use so many chemical products as they used to.

It may sound to you that things are very different, but I can also give examples of things that are still the same as they were in 2005. We still have the same kind of relationships and family values, there is less interest from politicians for important affairs than it should and the EU flag remains as it was in your time.”

 

Nota: Dos alunos do 10º ano, esta aluna foi a única a imaginar-se a viver fora de Portugal.

Dear European Citizen of 2005,

I am writing from the future, it’s the year 2025. Today the European Union has changed a lot; this is what will be remembered in History.

After the nuclear holocaust, some of us escaped to the Moon and started a new colony, but shortly after that our Earth governments started conquering us. However, today we are independent. The New European Union was born from Europe, but Europe on the Moon.

Basically everything is the same: the rights and obligations, human rights… The currency is not the Euro, but the Liberty, and we don’t have taxes or a Parliament, but voluntary contributions, and we are divided into provinces with councils.

 

Write soon! I will send you another letter when the situation improves.”

 

“Dear European Citizen of 2005,

I am writing from the future and I must tell you, unfortunately, that the future is not so bright.

We are in the middle of World War III and thank God the European Union has never been so united. The USA are getting allies from other continents because we will not give up this fight for water.

 

But let’s talk about something else. Now all European countries belong to the EU and, as I have said, we can say that Europe is now a really united continent with rights and duties, but I think that this is the only good thing happening around here.

The war is destroying the environment, the immigration has increased a lot, because our continent is the only safe one in the world, the economic problems are huge, and the education, which in 2005 we expected to increase, is now a war education.”

 

Carta/Previsões do cidadão europeu de 2005:

“O cidadão europeu cumprirá melhor com os seus deveres cívicos e preocupar-se-á com a política e o ambiente.

O consumo irá apenas até onde a necessidade o exigir, acabando assim o consumismo extremo das sociedades europeias. Porém, o cidadão europeu continuará a ser facilmente manipulado pela publicidade, apesar desta passar a estar só presente na televisão e internet.

No domínio da educação, o jovem irá ter um acompanhamento mais individualizado no que se refere a seguir a sua vocação. Haverá também, uma formação profissional mais específica e todos os cidadãos europeus ( sem excepção ) terão acesso ao mercado de trabalho.

As empresas europeias vão diminuir os seus níveis de produção mas aumentar a qualidade dos bens e serviços que produzem, dando mais importância aos interesses de cada consumidor.

As sociedades europeias serão todas mais felizes, porque viverão em maior união e os seus cidadãos terão mais tempo para se divertirem com as suas famílias.

Assim, vou lutar para que este ideal seja o do futuro cidadão europeu.”

 

“Dear European Citizen of 2025,

I am writing from 2005 and I thought it might be good to tell you some things about the past, which you should never forget.

Recently Pope John Paul II has died and the messages of love, peace and harmony that he passed on to the world are all over the TV channels. What I wish is that you never forget these messages, so that the world will become a better place than it is nowadays.

Also I hope that you never forget the AIDS crisis we have been going through, so that you can understand how important it is for you to respect the others and so protect yourselves and your partners.

But you mustn’t forget either that for a few years now big countries have been exploiting the little ones, which develops a wave of racism and cockiness. I just hope that in the future you can all live happy and in harmony and that you’ll always try to help the others whenever they need, no matter where they are from.”

 

Entre outras ilações a retirar, podemos concluir que estes jovens estão conscientes das vicissitudes do presente e da repercussão que estas poderão ter no futuro da Europa. Se na discussão formal sobre o futuro da U.E. os alunos exprimiram algumas opiniões idealistas relativamente ao futuro, quando foram solicitados a falar do assunto na primeira pessoa, as visões mais idealistas foram completamente aniquiladas pelo pessimismo.


O projecto, que futuro?

A qualidade e quantidade de material produzido pelos alunos, quer em português quer em inglês revelou uma potencialidade do projecto que não foi prevista na concepção deste.

Os documentos produzidos em suporte informático – documentos em Powerpoint – permitem a reutilização quer na divulgação de informação a alunos de níveis mais elementares, como aconteceu na implementação deste projecto, quer até como material de suporte na disciplina e nível em que agora foram elaborados.

As reflexões e opiniões expressas nas cartas constituem material rico para desenvolver competências linguísticas em alunos do mesmo nível em anos lectivos posteriores. Devidamente exploradas em aula, podem constituir ainda uma base de reflexão e desenvolvimento de competências cognitivas, bem como de construção de outros materiais.

Numa perspectiva de desenvolvimento profissional, as professoras poderão implementar o mesmo projecto com alunos futuros, em intervalos de tempo de 3, 4, 5 ou mais anos ao longo da carreira, proceder a uma análise comparativa dos resultados, produtos e conteúdo obtidos, usando essa informação para enriquecer a sua prática lectiva e desenvolver competências nos alunos.

Avaliação do Projecto

A avaliação formal do projecto com os alunos só foi feita na disciplina de Economia, com o auxílio de uma grelha com descritores por nível de avaliação dos trabalhos apresentados. Em Inglês a Int. à Filosofia essa avaliação foi efectuada de uma maneira informal, com o registo das opiniões de alguns alunos.


Os cidadãos alunos

ABERTURA AO TEMA - Os alunos manifestaram uma grande disponibilidade para abordar os temas relacionados com a Europa e a cidadania europeia, que poderá estar associada ao interesse e ao teor dos cursos por que optaram e que frequentam.

MOTIVAÇÃO para a ACÇÃO – Os alunos participaram com empenho nas actividades realizadas no decurso do projecto, muitas vezes com um entusiasmo superior ao revelado noutras actividades no âmbito das disciplinas. O facto de o projecto ter sido “personalizado” – cf. as cartas do e ao cidadão de 2005/2025 - em alguns momentos poderá ter contribuído para a colaboração dos alunos.

Os alunos deram provas de estarem informados sobre a actualidade no que respeita aos assuntos da União Europeia, como se pôde comprovar pelas questões colocadas acerca do processo de ratificação do Tratado da Constituição Europeia que foi submetido a referendo em vários países, no período de realização deste projecto.

VALORES – Os alunos praticaram os valores da cidadania europeia enquanto reflectiam sobre eles – o respeito, a tolerância, a amizade, a cooperação, entre outros. O projecto não ambicionava uma teorização em torno dos valores, mas sim a interiorização dos mesmos.


Os cidadãos professores

EXPECTATIVAS – As expectativas dos professores quanto à receptividade dos alunos ao projecto foram suplantadas. O empenho dos alunos levou ao aprofundamento de aspectos que não tinham sido previstos na fase de concepção do projecto.

APRENDIZAGENS – Ao contrário do que prevíamos, e apesar do interesse que os alunos manifestaram em relação ao projecto, verificou-se que a participação em fóruns juvenis on-line não foi motivadora para os alunos. Nem tudo o que é Internet interessa aos alunos, sobretudo se sugerido pelo professor.

VALORES – Não foi perceptível aos alunos, mas também as professoras praticaram os valores da cidadania europeia – cooperação, tolerância, solidariedade, respeito, amizade, entre outros – para fomentarem nos alunos a reflexão sobre esses mesmos valores.

Por tudo isto, acreditamos ter contribuído para uma cidadania mais plural e solidária, no presente e para o futuro.

 

Almada, 28 de Setembro de 2005