Revista Bimensal 
Edição 12 - Dezembro 05
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A importância das TIC e das experiências como estratégias a utilizar no processo de ensino-aprendizagem

Susana Macedo
Professora do 1º e 2º ciclos (Matemática e Ciências)
EB1 Rio Côvo, Santa Eulália



Aqui deixo uma pequena análise sobre a importância dos computadores e das experiências como estratégias a utilizar no processo de ensino-aprendizagem.

Inscrevi-me numa acção de formação intitulada: “Utilização pedagógica das TIC no 1º Ciclo do Ensino Básico” tendo sempre assente a ideia de que esta só iria contribuir para engrandecer os horizontes dos alunos perante o sistema de ensino. Sendo objectivo desta formação promover a aplicação das TIC, o que implica promover a comunicação nos alunos, utilizando como recurso as TIC; procurei criar um plano que levasse a cabo o desenvolvimento das capacidades dos alunos em relação ao uso das novas tecnologias.

Cada formando tinha que planificar um plano de trabalho, para o meu plano o tema escolhido foi a água. Esta escolha prende-se pela razão de ser o tema do Projecto Curricular de Escola, mais propriamente o tema da Escola é: “Água fonte de vida” e o tema do Projecto Curricular da minha Turma é “Os Ecogotinhas”.

Dentro deste tema existe uma infinidade de subtemas aliciantes de serem trabalhados e explorados pelos alunos, coube me a mim escolher um. Para tal escolha tive a preocupação de ter em atenção a faixa etária dos alunos, as suas dificuldades, as expectativas e motivações que iria despertar nos alunos, entre outros aspectos, todos eles centrados no grupo alvo -os alunos.

Primeiro pensei em abordar diversos temas relacionados com a água (água doce e água salgada, propriedades da água, estados da água, ciclo da água, medidas para poupar água…), mas depois de uma ponderação pessoal e mais uma vez atendendo aos alunos que tinha e àquilo que já havia sido feito por e com eles, reformulei o meu plano e optei por realizar uma actividade prática e objectiva – experiências com a água.

As experiências são importantes actividades auxiliares das aprendizagens, permitem desenvolver competências de uma forma estimulante e duradoura (pois ao verem fixam e adquirem melhor os conteúdos; é como se costuma dizer “ ver para crer”); estimular o espírito de grupo, desenvolver normas e regras de trabalho, criar o gosto pela investigação, aplicar o método científico e possibilitam incentivar os alunos pela descoberta das razões para determinados acontecimentos.

Escolhido o tema, seguiu-se a comunicação do plano que se pretende desenvolver e aplicar com eles – os alunos. De facto foi com muita satisfação que verifiquei, aquando o diálogo com os alunos, que eles ficaram bastante entusiasmados com o facto de virem a ser pequenos cientistas; eis um dos aspectos positivos desta actividade.

Para abordar os conteúdos que estão subjacentes a esta actividade foram feitas pesquisas, pelos diversos grupos, sobre particularidades, curiosidades, histórias e fenómenos que envolvem a água. Como fontes de pesquisa os alunos utilizaram a internet, manuais escolares de Estudo do meio; documentos do Word e outros livros e recursos existentes na biblioteca deles.

O recurso às novas tecnologias como um dos instrumentos auxiliares da aquisição de aprendizagens e da prática do processo de ensino – aprendizagem, revelou-se como um importante aliado que ajuda na aquisição e consolidação dos conhecimentos.
Enquanto conhecimento, pretende-se através da pesquisa potenciar aprendizagens. Se a pesquisa for bem orientada e se seleccionarmos os conceitos e assuntos chave da nossa procura para explanação do tema, estamos a estruturar e organizar ideias e é sabido que se as coisas estiverem bem determinadas são mais fáceis de encaixar. Funciona como um puzzle, se escolhermos as peças certas elas encaixam e no final o puzzle está completo correctamente. Procurei com a pesquisa facilitar a obtenção de informação, sendo que esta foi, posteriormente, seleccionada pelos alunos com o meu apoio.

Porém aquando da pesquisa, como já foi dito, surgiram alguns problemas e barreiras normais atendendo à faixa etária dos alunos e à sua experiência com os computadores.

Visei com a pesquisa familiarizar os alunos com esta máquina que é o computador, transmitir-lhes a ideia de que este facilita a investigação e ajuda muito na construção de trabalhos, auxilia a compreensão de conteúdos, permite a descoberta de coisas interessantes (jogos, canções, actividades) e torna a abordagem de certos assuntos mais fácil.

Pretendi que os alunos através da pesquisa, seja ela na net, em livros, em cd’s ou outro tipo de materiais, fossem mais autónomos e capazes de procurar as soluções para as variadas experiências que realizaram.

As metodologias que se usam, enquanto educadora, devem ser variadas e devem corresponder às expectativas dos alunos. O computador é de facto um veículo que facilita o caminhar pelas aprendizagens. É um material que permite construir conhecimentos; bloco a bloco eles serão capazes de fazer construções sólidas e duradouras!

Após cada grupo ter recolhido alguma informação sobre a água, resultante da pesquisa efectuada e de uma comunicação constante e direccionada para a especificidade dos alunos, seguiu-se a fase de selecção da informação. Os grupos escolheram a informação de que mais precisariam para compreender a experiência que iriam realizar. É obvio que já lhes tinha explicado antecipadamente, por grupo, a experiência que iriam fazer e o problema para o qual teriam de encontrar uma solução.

Após terem toda a informação necessária chegou a altura de realizar as experiências. Esta foi a estratégia adoptada para os alunos exprimirem as suas pesquisas e comunicarem aquilo que pesquisaram, escolhi o método científico e todas as suas etapas. Sendo a actividade experimental uma actividade prática por excelência, transformando os alunos em pequenos cientistas e envolvendo-os intensamente na procura de uma resposta para o problema, penso que esta actividade contribuiu para a aquisição de competências, compreensão de fenómenos naturais, interpretação de observações e para a comunicação oral e escrita. Não há dúvidas de que foi uma actividade bastante produtiva e enriquecedora.

Para além de ter promovido aprendizagens, ao optar por uma actividade prática desenvolvida em grupo, foi possível trabalhar regras e normas de trabalho em grupo, de comportamento dentro da sala de aula, permitiu incutir responsabilidades a cada elemento do grupo e distribuir tarefas. Cada aluno tinha o seu papel dentro do grupo e o sucesso da experiência bem como a obtenção de uma resposta para o problema só foi possível através do envolvimento e empenho de todos.

Foi realizada apenas uma experiência por grupo, ao contrário do que estava previsto, atendendo ao tempo de duração da formação. Contudo as restantes experiências serão realizadas posteriormente, no dia mundial da água, onde participarão todas as turmas da escola.

As experiências são, sem dúvida, um excelente meio para permitir o trabalho em equipa e desenvolver o raciocínio e o gosto pela descoberta.

Sabendo que, nas idades correspondentes ao primeiro ciclo, as crianças ainda não atingiram um estádio de desenvolvimento correspondente ao das operações formais, há que lhes proporcionar actividades ao nível do concreto, do seu quotidiano, de forma a que não se sintam incapazes de reflectir e trabalhar sobre elas. A ciência apresenta enormes potencialidades que permitem envolver o aluno activamente, interessando-o pela sua própria aprendizagem.

O professor ao explorar as actividades experimentais para que os seus alunos aprendam a ciência de um modo mais significativo, e para o desenvolvimento neles das mais variadas capacidades que serão fundamentais no seu futuro, terá de criar um ambiente construtivista de aprendizagem e adoptar estratégias investigativas. Pensa-se que este ambiente favorecerá os alunos dos mais variados graus de ensino.

As actividades experimentais desenvolvem nos alunos capacidades e atitudes que vão muito para além do que se consegue com o ensino tradicional, em que o aluno era encarado como um receptáculo mais ou menos passivo de conhecimentos. Nesta linha, preconiza-se que o aluno seja orientado no sentido de exprimir as suas ideias, planear, prever, executar e rever procedimentos e essas ideias. Muito importante, também, é escutar os alunos. Tal como afirma McCallum (2000), “observar, esperar, ouvir e questionar é uma sequência útil a seguir”. Ouvindo o que os alunos dizem, melhor se poderá entender como pensam, como vão construindo os seus conhecimentos, e melhor se poderão orientar e ajudar a enriquecer os seus modelos mentais.

Foi nesta perspectiva construtivista e investigativa, que me baseei para o trabalho levado a cabo com a minha turma do 1º ciclo do 2º ano de escolaridade.

O plano consistiu em aplicar um ensino de índole construtivista e investigativo, onde os alunos pudessem aprender investigando.

Durante as actividades realizadas houve oportunidade de descobrir os modelos que os alunos possuíam acerca dos conceitos trabalhados. Procurei também que a concepção e realização dessas actividades «retirassem força» a modelos naturais dos alunos, mas que se consideram cientificamente incorrectos.

Em particular destaco o papel fulcral dos alunos como organizadores do seu conhecimento, mas também a função fundamental do professor como mediador, orientador e facilitador das aprendizagens.

Há que referir que os alunos participaram com entusiasmo e interesse nas actividades que lhes foram propostas

Quando ao trabalho experimental são associadas as TIC, o produto final é ainda melhor e mais significativo, isto é, os alunos ficam muito motivados e empenham-se bastante em todas as actividades.

Assim numa primeira fase os alunos realizaram as experiências e após terem seguido todas as etapas do método científico e chegarem a uma conclusão/solução sobre o problema que levou à investigação, uma parte dos elementos do grupo utilizou o Word para registar essas mesmas conclusões.

Sem duvida que esta ementa: experiências e computador, resulta e contribui para potenciar conhecimentos e aprendizagens de uma forma natural e significativa.

Etapas do Plano de trabalho

  • A turma encontra-se dividida em quatro grupos;

  • Cada grupo é constituído por cinco elementos (os grupos são heterogéneos quer ao nível do sexo quer das capacidades);

  • A cada grupo são atribuídos, inicialmente, três protocolos relativos a três experiências;

  • Cada grupo dispõe de uma parte da sala onde se encontra todo o material necessário para a realização da primeira experiência (previamente distribuído por mim);

  • Os alunos são autónomos na tomada de decisões. A professora vigia e apoia os alunos;

  • Fornecerei o material para a experiência seguinte à medida que os grupos acabem a experiência anterior;

  • No final de cada experiência dois elementos do grupo dirigem-se para o computador a fim de registarem no Word as respectivas conclusões, num documento elaborado para o efeito;

  • Os restantes elementos encarregam-se de arrumar todo o material de que já não necessitam e preparar o material para a experiência seguinte;

  • No final de cada grupo ter realizado as três experiências e terem registado as respectivas conclusões, os grupos trocam de experiências;

  • Todos os grupos têm de realizar a totalidade das experiências, num total de doze experiências;

  • Quando todas as experiências tiverem sido realizadas e as respectivas conclusões registadas, cada grupo dirige-se a um computador (na escola existem quatro computadores), para realizar as fichas interactivas;

  • Apenas o porta-voz do grupo preenche os espaços vazios da ficha interactiva;

  • O melhor grupo, isto é, aquele que responder mais acertadamente, receberá uma recompensa;

  • As actividades realizam-se durante um dia, ocupando para o efeito o bloco da manhã e da tarde, durante um período de sete horas (duas das horas são extracurriculares);

  • Numa segunda fase a actividade será alargada a todos os anos lectivos;

    Para o efeito serão utilizadas três salas da escola, do seguinte modo:

    • Sala 1 – turma do 1º ano

    • Sala 2 – turma do 4º ano

  • Sala 3 – turma do 3º ano

  • Em cada uma das salas realizam-se seis experiências, seleccionadas de acordo com o nível de ensino;

  • Os alunos do segundo ano encontram-se distribuídos pelas três salas:

    • Seis alunos do 2º ano por cada sala

    • Cada aluno do 2º ano fica encarregue por uma experiência, servindo de orientador e apoiante para o grupo que a está a realizar, visto que já realizou previamente a mesma.

  • As turmas dos 1º, 3º e 4º anos estão divididas em grupos definidos pelas respectivas docentes;

  • Cada grupo realiza uma experiência;

  • No final de cada grupo ter realizado a sua experiência, os grupos trocam de experiências até terem realizado as seis experiências;

  • Cada elemento regista no seu relatório, manualmente, as conclusões a que o grupo chegou. Com a excepção do 1º ano que desenham aquilo que observaram.

  • As conclusões só serão registadas no Word, nos respectivos relatórios, no final de toda a actividade; para uma melhor gestão do espaço e do tempo;

  • Esta tarefa será realizada por um grupo de cada vez, visto que cada sala apenas dispõe de um computador.

Desde o inicio da aplicação do plano, os alunos mostraram-se empenhados e motivados e olhando para trás, apesar do pouco tempo decorrido, verifico que houve uma evolução no manuseamento do computador e na aquisição de destrezas com o mesmo bem como na capacidade para solucionar um problema, utilizando as experiências para esse fim e não dando uma resposta imediata, a qual eles muitas vezes não entendem o seu sentido

Visto que resultou, continuarei a utilizar o computador e as experiências nas minhas actividades lectivas como instrumentos auxiliares, como recursos que possibilitam aprender brincando, isto é, adquirir conhecimentos de forma natural, fluida e sem monotonia ou imposições.