Revista Bimensal 
Edição 13 - Janeiro 05
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Uma perspectiva histórica do
Ensino das Ciências Experimentais

 

Élia Martins
Professora de Biologia,
Esc. Sec. Anselmo de Andrade, Almada

Mestre em Ciências da Educação, Didáctica das Ciências


 

 


Resumo/Abstract

Neste artigo aborda-se, de forma geral, o ensino das ciências nas últimas décadas, referindo as grandes alterações que têm ocorrido como consequência da evolução do próprio conceito de ciência e de factores sócio-culturais, políticos e económicos. A perspectiva histórica mostra-nos que cada época tem os seus valores preferenciais que contribuem para a caracterizar e, para a sua transmissão, a escola assumiu e assume um papel privilegiado (Carvalho, 1985) pois existe uma relação de interdependência entre a escola e a sociedade que lhe deu origem e que ela serve (Cortesão, 1982). Segundo Domingos (1984, p.21), “o sistema educativo é um reflexo da sociedade em que se insere e da prospecção no futuro das linhas mestras da sua evolução”.

Uma das intenções fundamentais dos novos currículos diz respeito à natureza do seu projecto pedagógico: imprimir uma nova orientação ao processo educativo, fazendo-o convergir para a formação integral dos alunos sendo, neste sentido, assinalado um papel nuclear ao desenvolvimento de atitudes e à consciencialização de valores e subordinando-se a aquisição de conhecimentos ao desenvolvimento de competências. Tal projecto não poderá deixar de reflectir-se na reformulação das metodologias de ensino-aprendizagem relativamente aos padrões tradicionais, apelando-se para a intensa participação de cada aluno na construção e avaliação das suas aprendizagens e para o incentivo da sua autonomia. Deste modo, será necessário planificar o desenvolvimento de atitudes positivas perante a ciência, num ensino que enfatiza competências e processos de pensamento científicos e atende à natureza da ciência mas também na sua perspectiva de interdependente da tecnologia e de factores sociais (CTS), para preparação de futuras carreiras científicas mas, principalmente, para preparação do cidadão comum que se verá forçado a viver numa sociedade científica-tecnológica onde terá que pensar e agir de acordo com princípios científicos.

Os professores devem desenvolver currículos e orquestrar experiências para desenvolver competências científicas. Para tal, necessitam de treino específico para esse tipo de ensino, bem como partilhar impressões e conhecimentos com colegas e, acima de tudo, necessitam de tempo para reflectir sobre a sua própria prática.

Neste artigo abordam-se diferentes perspectivas e estratégias de ensino-aprendizagem que se complementam, e não se esgotam, com o objectivo de conseguir um público alfabetizado do ponto de vista científico, garantia de uma utilização responsável e ética da ciência.