|
Resumo/Abstract
Neste artigo aborda-se, de forma geral, o
ensino das ciências nas últimas décadas, referindo
as grandes alterações que têm ocorrido como
consequência da evolução do próprio conceito de
ciência e de factores sócio-culturais, políticos e
económicos. A perspectiva histórica mostra-nos que
cada época tem os seus valores preferenciais que
contribuem para a caracterizar e, para a sua
transmissão, a escola assumiu e assume um papel
privilegiado (Carvalho, 1985) pois existe uma
relação de interdependência entre a escola e a
sociedade que lhe deu origem e que ela serve
(Cortesão, 1982). Segundo Domingos (1984, p.21), “o
sistema educativo é um reflexo da sociedade em que
se insere e da prospecção no futuro das linhas
mestras da sua evolução”.
Uma das intenções fundamentais dos novos
currículos diz respeito à natureza do seu projecto
pedagógico: imprimir uma nova orientação ao processo
educativo, fazendo-o convergir para a formação
integral dos alunos sendo, neste sentido, assinalado
um papel nuclear ao desenvolvimento de atitudes e à
consciencialização de valores e subordinando-se a
aquisição de conhecimentos ao desenvolvimento de
competências. Tal projecto não poderá deixar de
reflectir-se na reformulação das metodologias de
ensino-aprendizagem relativamente aos padrões
tradicionais, apelando-se para a intensa
participação de cada aluno na construção e avaliação
das suas aprendizagens e para o incentivo da sua
autonomia. Deste modo, será necessário planificar o
desenvolvimento de atitudes positivas perante a
ciência, num ensino que enfatiza competências e
processos de pensamento científicos e atende à
natureza da ciência mas também na sua perspectiva de
interdependente da tecnologia e de factores sociais
(CTS), para preparação de futuras carreiras
científicas mas, principalmente, para preparação do
cidadão comum que se verá forçado a viver numa
sociedade científica-tecnológica onde terá que
pensar e agir de acordo com princípios científicos.
Os professores devem desenvolver currículos e
orquestrar experiências para desenvolver
competências científicas. Para tal, necessitam de
treino específico para esse tipo de ensino, bem como
partilhar impressões e conhecimentos com colegas e,
acima de tudo, necessitam de tempo para reflectir
sobre a sua própria prática.
Neste artigo abordam-se diferentes
perspectivas e estratégias de ensino-aprendizagem
que se complementam, e não se esgotam, com o
objectivo de conseguir um público alfabetizado do
ponto de vista científico, garantia de uma
utilização responsável e ética da ciência.

|