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Diários
Gráficos – Eduardo Salavisa
“Nunca encontrei, até agora, ninguém que seja
impossibilitado de aprender a desenhar (…) exactamente
da mesma maneira que quase todas as pessoas têm
disposição para aprender francês, latim ou aritmética,
num grau aceitável (…)”
A frase é de John Ruskin, filósofo, artista e crítico de
arte, escrita no século XIX. Ele acreditava nela e eu
também.
Um caderno de uma dimensão tal que seja facilmente
transportável e onde se registam quotidianamente
apontamentos sobre o que nos rodeia, ou sobre o que
reflectimos, é incentivador a sermos mais observadores,
a desenharmos sistematicamente e, em consequência, a
ficarmos mais aptos e mais criativos. Estes pequenos
cadernos têm várias designações, dependendo da área de
quem os usa. Diários de Viagem ou Diários Gráficos são
duas delas.
A ideia que “o desenhar está ao alcance de todos”, não
só em viagem, quando se tem mais disponibilidade, mas
também no nosso quotidiano, estimula-nos a andar com
este pequeno caderno. Que é um bom instrumento para
começarmos e para continuarmos na prática do Desenho. E
quando me refiro ao Desenho estou-me a referir a todas
as técnicas, materiais e modos de registo. O recurso a
imagens pré-existentes, ou mesmo fotografias, é uma
estratégia importante como desinibidor. O uso, em
simultâneo ou não, do desenho, da colagem e o auxílio da
escrita é uma maneira de adquirirmos confiança na nossa
capacidade de representarmos o que observamos.
Desde sempre houve artistas/viajantes que o usaram e
sabemos que aquilo que observaram e registaram nos seus
cadernos foi fulcral para a sua capacidade criativa
futura.
Apesar de, no princípio, haver alguma recusa no uso
destes Diários, eles transformam-se rapidamente em
objectos imprescindíveis, como se fossem uma companhia
ou mesmo um amigo a quem nós contamos a nossa vida
diária. Como não é para mostrar, ou só para mostrar a
quem nós queiramos, o Diário torna-se um espaço de
experimentação e da mais completa liberdade. Outro
factor importante para as pessoas se afeiçoarem a este
caderno é o facto de cada registo realizado corresponder
a um determinado momento inesquecível.
A totalidade do Diário passa a ser um pedaço da nossa
vida.
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Eduardo
Salavisa
Lisboa, 29 de Março de 2007
www.diariografico.com
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Sementes
Escritas
-
Possidónio Cachapa
Ao princípio, a desconfiança. É sempre assim. Escrever
sobre a mão? Não era bem isto que estava à espera…
Depois passa a mensagem que escrever é sempre sobre o
que não se está à espera.
“Ouçam o que está ao longe”, digo-lhes, “Agora mais
perto… Aqui mesmo na sala… A vossa respiração…”. E eles
chegam ao coração. E a escrita também é sobre tudo isso:
o que está lá e não se ouviu e o que esteve sempre
connosco sem que o sentíssemos.
Uma das formandas vai para casa e instala-se na cozinha,
sozinha. E nesse dia, a familiaridade da divisão
transforma-se. É e não é. Uma outra mete-se debaixo da
mesa e descobre o que faz o gato e porquê. Vê a forma
como a luz chega ao sítio onde o bicho se instala,
invisível. Um terceiro foi para o jardim e estendeu-se
no meio da relva e os pequenos sons amplificaram-se
adensado o espaço. E por aí adiante.
“Onde está o Patrick?”, pergunto. E todos respondem. As
memórias vão aparecendo. A sua predilecção alimentar por
flores, as meias desencontradas. Aos poucos tomamos
consciência do afecto que nos liga à figura
desaparecida. Chegamos mesmo à conclusão romântica de
que andará de comboio em comboio, Europa fora. Até
vermos que esteve sempre à saída do mosteiro, disfarçado
de porteiro…
E quando tudo chega ao fim, ainda temos tempo de pensar
que somos aquilo que achamos: gordos, magros,
importantes, miseráveis, ou até figuras vestidas com
grandes blocos de espuma que tudo derrubariam à
passagem.
A maioria foi para as suas escolas e para as suas casas
de caderno na mão e pôs o que aprendeu em prática.
Quase sempre se chega ao fim das formações com a
sensação de vazio, que nada do que lançámos frutificará.
Pode ser que volte a ser assim, desta vez. Mas quando
olho de perto, algumas mãos, vejo que se dobraram em
concha. E que nesse espaço brilham sementes. Só falta
que as mãos façam o gesto. O resto será do domínio da
gravidade.
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Possidónio
Cachapa
Abril de 2007-04-09
http://prazer_inculto.blogspot.com/
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Curricula
Eduardo
Salavisa
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Fotografia
de Paulo Barata, 2006
Licenciatura em Design de Equipamento pela Faculdade de
Belas Artes de Lisboa, terminada em Janeiro de 1981, com
a média de 17 valores.
Curso de Formação de Formadores no Instituto Superior
Técnico “Design de Autor Assistido por Computador”, no
ano de 1993, com a duração de 230 horas
Formador acreditado pelo Conselho Científico-Pedagógico
da Formação Contínua para a área de Prática e
Investigação Pedagógica e Didáctica no domínio das
Didácticas Específicas (Expressões).
Trabalho de investigação, que iniciou no ano 2001/2002
sob o âmbito de uma licença sabática, sobre o tema: “O
Diário de Viagem como Instrumento Didáctico”. Nos anos
2003/2004 e 2005/2006 foram concedidas Equiparação a
Bolseiro para aprofundar este Projecto com a sua
implementação nas escolas.
Coordenador e dinamizador do site
www.diariografico.com
Eduardo Salavisa. Nasceu em Lisboa onde vive e trabalha.
Andou pela Escola de Belas Artes de Lisboa onde se
licenciou em Design de Equipamento por volta de 1980.
Trabalhou em Design Industrial, concebendo algumas peças
que depois eram produzidas, em reduzido número, e
comercializadas. As que lhe deram mais gozo foram uns
brinquedos de madeira. Devido a vários condicionalismos,
o Design deixou-lhe algumas desilusões, dedicando-se
mais à pintura. Fez algumas exposições, de pintura e de
desenho, sendo sobretudo o desenho que o interessa pelo
seu carácter experimental e por ser mais um processo que
um resultado. Por esta razão começou a interessar-se
pelos Diários de Viagem, ou Gráficos, pelo registo
sistemático do quotidiano, pelo seu carácter lúdico e
simultaneamente didáctico. É professor no ensino
secundário na Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa.
Além de fazer o seu próprio Diário, não só em viagem mas
quotidianamente, estuda os de outros autores,
utilizando-os nas suas aulas e nas de outros professores
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Possidónio Cachapa
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Fotografia
de Margarida Boto
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Formação Académica |
1985- 1990, Universidade Nova de Lisboa
Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas –
Variante de Estudos Portugueses
1996-1997, E.T.I.C. Lisboa
Curso de Realização Televisiva
1998, Fundação Oliveira Martins
Curso de Aperfeiçoamento Psico-Pedagógico de
Formadores
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Autor |
Outubro de 1996 a Maio de 2005
Autor do romance, “A Materna
Doçura”-Assírio&Alvim(1998, Oficina do Livro
(2004) traduzido em Espanha, Bulgária, Itália e
adaptado ao teatro e ao cinema (em preparação).
Autor da Novela “O Nylon da Minha
Aldeia”-GEIC(1997)
Autor do romance “ Viagem ao Coração dos
Pássaros”-Assírio&Alvim (2000)
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Literatura e teatro
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Autor das peças “Shalom”, Assírio&Alvim (2001),
e “Hipnotizando Helena” (2004) e de “A
CIBERNÉTICA” (2005)
Autor do romance “ O Mar Por Cima”, Oficina do
Livro (2002)
Autor do livro de contos “Segura-te ao Meu peito
em Chamas” (2003) (traduzido em Itália)
Autor do livro de crónicas “O Meu Querido
Titanic” (2006)
Autor de diversos contos publicados em
antologias nacionais e estrangeiras (em Espanha,
Bulgária, Suécia, França…)
Colaborador do JL (Jornal de Letras), da revista
Visão e do Diário de Notícias
Realizador e Argumentista do filme BURACOS DE
DEUS
Co-Argumentista do filme KISS ME (de António da
C. Telles)
Argumentista do filme MARIA E AS OUTRAS (de José
de Sá Caetano)
Argumentista do filme de animação DO CÉU E DA
TERRA (de Isabel Aboim)
Argumentista da série “Sobre Rodas”
Argumentista do Programa “Herman Enciclopédia”
(Produções Fictícias)
Argumentista de 3 filmes sobre Aprendizagem,
Motivação e Comunicação (Fundação Oliveira
Martins/FSE)
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Cinema e Televisão
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Assistente de Realização e Argumentista da série
“Sete Mares” (12 episódios rodados em diversos
locais do mundo)
PORTUGAL:
2005- 1990, PROJECTO ATMOSFERAS
Comissário para a Ficção (em funções desde 2003)
ETIC- Núcleo de Formação Avançada – Lisboa
(2002-2004)
Director de Formação
ASTROLÁBIO/RTP1
Coordenador geral e
argumentista do programa
www.aldeiaglobal.pt
(1999)
Colégio Moderno, Lisboa (1990-1991)
Professor de Português
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Experiência Profissional |
SUÍÇA
1991-1996
Professor de Língua e Cultura Portuguesas
Colaborador da RTP Internacional
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Formador
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Formador principal do curso de ARGUMENTO, escola
RESTART (em funções)
Formador em GUIÃO no curso Escrita para
Audiovisuais, da Etic_formação avançada
(2000-2004)
Formador em Escrita Criativa no C.E.M (desde
2003)
Formador no curso de ESCRITA TELEVISIVA
promovido pela Universidade da Beira Interior
(1998)
Formador em ESCRITA PARA SITCOM, no âmbito do
curso de Produção da EPI (Maio de 1998)
Formador em GUIÃO, no âmbito do curso de
Produção da ETIC (Outubro, Novembro de 1998,
Janeiro de 1999)
Formador em GUIÃO, no âmbito do curso de DESENHO
ANIMADO da EPI (Outubro, Novembro de 1998,
Janeiro de 1999)
Formador em GUIÃO, no curso de VIDEO GERAL da
ETIC (Dezembro de 1999)
Formador em Guião para o Spot Publicitário (16
horas), Epi, Janeiro de 2000
FORMAÇÃO DE FORMADORES:
Formador em Psicologia da Aprendizagem na
Fundação Oliveira Martins (1998) – 21 horas
Formador em Dinâmica de Grupos, Métodos e
Técnicas Pedagógicas, Autoscopia, Perfil e
Função do Formador, na empresa Lusitanaforma
(Funchal)
1998-1999 – 206 horas
Formador em Dinâmica de Grupos, Motivação
Fevereiro de 1999- PRONACI (15 horas)
Formador em Dinâmica de Grupos, Métodos e
Técnicas Pedagógicas, Autoscopia, Perfil e
Função do Formador, na empresa MAGNA VOCE Abril
de 1999 (75 horas)
Formador em Dinâmica de Grupos, empresa CELFF
Março/Abril de 1999 (64 horas)
Formador em Psicologia da Aprendizagem, na
empresa MAGNA VOCE (18 horas), Abril de 1999
Formador em Aprendizagem, Motivação, Dinâmica de
Grupos, Objectivos, Avaliação no HRE
Novembro de 1999
Formador em Criatividade, Emoções e Stress,
empresa COFIRH
Janeiro de 2000
Formador em Psicologia da Aprendizagem,
Motivação, Métodos e Técnicas e Autoscopia (35
horas) Fundação Oliveira Martins, Fevereiro de
2000
Formador em Audiovisuais (20 horas), Curso de
Aperfeiçoamento Psicopedagógico de Formadores
CONFIRH, Fevereiro de 2000
Formador em Autoscopias (20 horas)
Aperfeiçoamento Psicopedagógico de Formadores,
CONFIRH, Março de 2000
Formador em Dinâmica de Grupos(16 horas),
CONFIRH, Abril de 2000
Formador em Emoções e Gestão de Stress, empresa
COFIRH
Abril de 2000
Formador em Percepção/ Formação de impressões,
empresa COFIRH Setembro de 2001 ...
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Associações profissionais |
Membro fundador da Associação Portuguesa de
Argumentistas (1999)
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Algumas das experiências de trabalho e formações
diversas entre 1985 e 2005 |
Escritor convidado do SALON DU LIVRE 2000 em
Paris
Escritor convidado do Instituto Camões em Paris
(conferência)
Convidado nos encontros “Livros em Volta”, 8 de
Fevereiro de 1999, na Culturgeste.
Escritor convidado das Pontes Lusófonas (Outubro
de 1999, Maputo)
Conferencista convidado da Universidade de
Santiago de Compostela (Janeiro 2000)
Colaborador da revista literária PHALA
Colaborador (crítica literária) do DNA – Diário
de Notícias
Colaborador permanente do JL (Jornal de Letras,
Artes e Ideias)
Escritor convidado das Jornadas Literárias
Ibero-Americanas da Literatura (2001)
Escritor convidado pelo IPLB para a feira do
livro de S.Tomé e Príncipe (2004)
Bolseiro do Centro Nacional de Cultura
(2005-2006)
Curso de Formação de Jovens Empresários (1985),
700 horas –Lisboa
Curso de Gestão do Tempo e Técnicas de Domínio
do Stress nas Empresas (1994), 16 horas – Union
de Banques Suisses – Neuchâtel
Copywriter em Publicidade (1990) – RJM – Lisboa
Director de um projecto jornalístico para jovens
(1987-1989) – Lisboa
Membro da equipa vencedora do concurso
televisivo “Formula J” (1985), que consistia na
criação de sketches e números musicais,
apreciado por um júri
Curso de Formação de Actores (1984) – Angra do
Heroísmo
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