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Fundamentação
Convictos da necessidade de contribuir para a educação e
formação harmoniosa do indivíduo como ser humano e
cidadão participativo, quisemos estimular o imaginário,
as percepções e interpretações das crianças e jovens
sobre o mundo que as rodeia, uma vez que a produção
literária e plástica destinada à infância e juventude
provém sobretudo da imaginação dos adultos.
Como vêem elas o mundo que as rodeia, como o interpretam
e como perspectivam o seu futuro são as questões base
que estão na origem da acção proposta.
Considerando as lacunas e dificuldades dos alunos em
traduzir o seu pensamento, expressar ou mesmo recriar
ideias, propõe-se uma acção que visa a desinibição e o
treino destas competências e das que se relacionam com o
incentivo para a observação do quotidiano, a
interpretação crítica e a consequente expressão do que é
percepcionado.
Desencadear nos alunos o hábito sistemático de observar
criticamente e registar, escrevendo ou representando
plasticamente o observado, pode operar não só melhorias
das faculdades representativas, mas também incrementar a
qualidade e a diversidade na tradução ou na ilustração
de pensamentos e opiniões.
Esta acção justifica-se ainda no âmbito da necessária
valorização da descoberta duma sensibilidade criativa,
estética e artística que contribua para que cada
interveniente se descubra, se identifique e valorize
como pessoa sensível, criativa e participativa, capaz de
expressar e ilustrar com autonomia a sua visão crítica
do mundo.
Neste contexto, a oficina “Sementes para a criatividade
– Expressar e ilustrar o pensamento” apresenta-se como
instrumento de trabalho importante, já que visa
processos de experimentação criativa representados num
universo real ou efabulado, conducentes a uma maior
disponibilidade para compreender e consciencializar as
vivências de cada um em contexto comunitário.
Com estes objectivos, desenvolvemos, com os professores
do Ensino Básico, instrumentos e ferramentas para
aplicação em projectos de escrita criativa e expressão
plástica, os quais foram posteriormente implementados
nas escolas com os alunos.
O convívio com a experiência e os processos criativos de
dois autores portugueses contemporâneos, e
simultaneamente formadores – um da Literatura,
Possidónio Cachapa, outro das Artes Plásticas, Eduardo
Salavisa – valorizou a experimentação de novas formas de
pensar e fazer.
O trabalho de projecto interdisciplinar desenvolvido com
os alunos visou, não só, a criação de narrativas curtas
ilustradas, o seu posterior tratamento e a candidatura
ao “Prémio Literário “Sementes” – um concurso literário
especialmente criado para o reconhecimento público.
Deste modo, possibilitou-se a aplicação prática da
formação e a operacionalização de desenvolvimentos
significativos da qualidade da expressão escrita e
plástica dos alunos, conduzindo também a processos
relevantes de motivação.
O professor motivou o aluno para que este se
reconhecesse como agente criativo e animador da mudança
qualitativa do seu próprio raciocínio, da sua expressão,
traduzida na animação cultural da comunidade educativa
que avaliará e reconhecerá a importância e a qualidade
das suas produções artísticas, bem como valorizou estes
contributos como expressão de cidadania.
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